A capital da Tasmânia está se tornando cada vez mais popular entre os turistas. Descubra por quê!

A Tasmânia não costuma estar no topo da lista de prioridades para as pessoas que visitam a Austrália. Aliás, acho que a maioria dos turistas sequer sabe que a Tasmânia nada mais é do que um estado australiano (em uma ilha separada, verdade) e que Hobart é sua pequena capital.

Mas este cenário está mudando.

Nos últimos anos, Hobart cresceu – e muito! – como destino turístico. E não é por menos: gastronomia, natureza, história… Hobart tem uma personalidade muito forte que atende a todos os gostos. E mais: por estar muito mais ao sul e por ser uma ilha isolada do continente principal, a Tasmânia tem sua própria fauna (diabos da Tasmânia, alguém?) e um clima bem mais frio.

E aí, te convenci? Não? 

Então continue lendo para descobrir porque Hobart é tão especial, porque você deve reservar um tempinho da sua visita à Austrália para conhecê-la e o que fazer quando você estiver lá.

MONA

O Museum of Old and New Art (em português, o Museu de Arte Velha e Nova) é a joia da coroa de Hobart. Fundado em 2011 pelo excêntrico David Walsh, o MONA é um dos maiores museus de iniciativa privada – e de arte moderna – do mundo.

Com uma parede de esculturas de vaginas, uma máquina de fazer cocô (sim, é isso mesmo que você leu) e esqueletos de macaco de verdade, o MONA não é um museu muito comum. Se você é mais conservador ou se ofende com facilidade, vá avisado!

Mas no meio das obras mais chocantes ou incômodas, você vai encontrar muita coisa legal, como uma cachoeira que cai no formato de palavras (minha preferida) e até algumas pinturas tradicionais. Sem contar que o restaurante / café / bar de vinhos é excelente.

Por fim, o MONA promove vários festivais de música, cinema e  gastronomia ao longo do ano, muitos deles inclusive fora de Hobart. O MOFO é o mais famoso deles.

Ah, só mais um detalhe: o prédio do museu é quase todo subterrâneo. A ideia é que você desce de elevador e vai subindo pelas exposições, terminando no restaurante – este sim, do lado de fora. Não recomendável para claustrofóbicos.

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Os andares subterrâneos do Mona, em Hobart. (fonte: flickr.com/photos/britsinvade)

Os ingressos para as exposições custam AUD 28. Para mais informações, visite o site oficial (em inglês).

Mercado de Salamanca

Todos os sábados, de 8:30 as 15:00, o calçadão de Salamanca Place é tomado por barraquinhas coloridas. Comidas, bebidas, artesanato, antiguidades, livros, produtos regionais e internacionais… Como qualquer bom mercado, o de Salamanca tem quase de tudo – inclusive música ao vivo e atividades para as crianças.

Mas admito que ele deixa a desejar em um quesito: o Mercado de Salamanca não tem aquelas fileiras e mais fileiras de barracas vendendo souvenires para turistas. Chaveiros de canguru, ímãs de geladeira no formato da Austrália, bumerangues falsos. Deixe para comprar essas coisas em outro lugar.

A beleza do Mercado de Salamanca é justamente essa: ele é autêntico. Um mercado local feito para os habitantes locais.

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Fica lotado! (fonte: flickr.com/photos/sbittinger/)

Os preços não são os mais amigáveis (convenhamos, o que na Austrália tem um preço amigável?), mas mesmo se você não estiver a fim de fazer compras, vale o passeio. Para facilitar, a prefeitura ainda disponibiliza um ônibus de graça, que circula pela cidade durante os horários do mercado.

Para mais informações, visite o site oficial (em inglês).    

Monte Wellington

Talvez ele esteja encoberto por nuvens, talvez ele esteja com um chapeuzinho de neve, talvez ele esteja limpinho contra o céu o azul. Se você for a Hobart, com certeza vai notar uma montanha enorme, visível praticamente de qualquer lugar da cidade. É o Monte Wellington.

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Não importa aonde você vá em Hobart, o Monte Wellington está lá te olhando. (fonte: flickr.com/photos/bratha/)

Mas você não precisa ficar admirando o Monte Wellington só à distância. Você pode – e deve! – subir nele.

Para os mais preguiçosos (como eu), é só pegar um carro, seguir as placas e chegar lá em cima em 15 minutinhos. Para os aventureiros, há várias trilhas disponíveis, com diferentes níveis e distâncias. Muitas delas sequer vão até o topo – uma ótima desculpa para caminhar pela natureza e talvez esbarrar em um wallaby curioso.

Lá em cima você vai encontrar banheiros, uma lanchonete e informações sobre o parque. Com sorte, você também vai dar de cara com esta vista aqui:

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Vista do topo do Mount Wellington em um dia claro. (fonte: flickr.com/photos/3-bs/)

Quando eu fui, tinha uma nuvenzinha chata bem na nossa cabeça. Então a minha vista foi essa:

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É o Monte Wellington? É um filme de terror? Nunca saberemos…

Valeu à pena assim mesmo.

Mas atenção: o clima no Monte Wellington (assim como na Tasmânia inteira) é bem instável. Chuva, neve, sol – tem de tudo, o ano todo. Então vá preparado! O parque fica aberto 24 horas e a entrada é de graça.

Para mais informações, visite o site aqui (em inglês).

Praias

O dia está bonito? Topa pegar o carro (ou um ônibus) e dar uma saidinha da cidade? Então Hobart te oferece várias praias lindíssimas e bem acessíveis.

A minha preferida é Seven Mile Beach – sempre vazia. Mas opções não faltam! Taroona, Clifton Beach, Opossum Bay… Sério: vai no Google Maps e dá uma olhada na região de Hobart. Tem litoral pra dar, vender e jogar fora.

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Primrose Sands, a primeira praia que visitamos na Tasmânia, em um dia gelado de verão.

Ah, e eu falei ali em cima que precisa pegar o carro e sair da cidade pra ver as praias, né? Mentira. Sandy Bay, um dos bairros mais centrais de Hobart, está cheio de praias (recomendo Long Beach) e, do outro lado da ponte, Bellerive e Howrah também são boas praias dentro da cidade.

Então não tem desculpa pra não ir! Quer dizer, a menos que você só vá à praia para entrar no mar e não goste de água fria – porque sim, são todas geladas.

Gastronomia

Na minha opinião pessoal, a Austrália não é exatamente um destino gastronômico muito interessante. O que é comida típica australiana? Pois é, não existe. Por sorte, o que existe são os imigrantes, que trazem consigo culinárias maravilhosas do mundo todo.

Então Hobart, como qualquer outra capital australiana, tem uma oferta muito boa – e autêntica – de cozinhas internacionais. E mais: a Tasmânia como um todo é uma grande produtora de frutos do mar, com destaque para ostras, abalones (um molusco engraçado) e salmão.

Para experimentar essas delícias todas, os bairros de Battery Point, North Hobart e Salamanca são uma boa pedida. Não deixe de experimentar a bandeja de frutos do mar do Phat Fish, a comida japonesa do Bar Wa Izakaya (sério: o melhor sashimi que eu já comi na vida!) ou, para quem não está a fim de arriscar muito, uma lasanha no Da Angelo.

No departamento de bebidas, Hobart também não deixa a desejar. Com o mercado de cervejas artesanais estourando e montes de vinícolas logo ali ao lado, a grande maioria dos bares e restaurantes vai ter boas opções para oferecer.

De cervejaria, eu recomendo o Captain Blights: ambiente legal, música boa e ótimas cervejas, todas produzidas no local. Infelizmente, o bar só abre algumas vezes por mês, então fique atento à página deles no Facebook – às vezes você dá sorte! De qualquer forma, você vai encontrar as cervejas do “capitão” espalhadas pelos bares da cidade.

Para vinhos e drinques, aposte no Society ou no Dier Makr. Não tem erro!

Vida Selvagem

Vir à Austrália (e à Tasmânia) é ter a oportunidade conhecer uma vida selvagem que não existe em nenhum outro lugar do mundo. Não perca esta oportunidade!

De Hobart, o melhor lugar para ver os bizarros bichinhos australianos é o Bonorong Wildlife Sanctuary. Como o próprio nome diz, o Bonorong é um santuário, então você ainda contribui para uma boa causa já que o dinheiro recadado com as entradas vai para o resgate e cuidado dos animais.

Cangurus, coalas, wallabys, vombates, cacatuas… e claro, os demônios da Tasmânia. Além de várias aves locais e um monte de marsupiaisinhos que a gente nem sabe que existe. Para nós “felícias”, é um sonho virando realidade.

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Uma pequena canguruza e seu bebê no Bonorong Wildlife Sanctuary. Sim, eles ficam soltos. E sim, você pode passar a mão e dar comida pra eles.

Se você está mais interessado na estrelinha tasmaniana – o demônio – um pouco mais longe da cidade há o Tasmanina Devil Conservation Park. Esse eu não conheci pessoalmente, então não posso falar com muita propriedade, mas as avaliações do TripAdvisor e do Google são excelentes.

Para mais informações, visite o site oficial aqui. E se você conhecer o parque, depois volta aqui pra me contar como foi!

Por fim, Hobart também te oferece a chance de ver alguns animais marinhos bem legais – mais especificamente, as focas e, dependendo da época, baleias e golfinhos. Para isso, é necessário pegar um tour de barco pela península Tasman.

Existem várias empresas em Hobart (e Port Arthur, ali pertinho) oferecendo essas viagens de um dia, então não deixe de pesquisar o melhor custo benefício.

Outros

Sobrou tempo? Não tem erro, sobrou atividade também. Se a ideia é ficar dentro de Hobart, você pode:

  • Passear pelas ruas e ver as casinhas antigas de Battery Point;
  • Visitar o Jardim Botânico Real;
  • Dar uma volta pelas docas e visitar o Museu Marítimo.

Pra quem está de carro – ou topa pagar mais caro por uma excursão – eu recomendo:

  • Brunny Island, com suas comidinhas locais, praias desertas e muita natureza. Pra quem vai por conta própria, o acesso é de balsa – então fique atento aos horários e preços (que variam de acordo com o tipo e tamanho de veículo).
  • Port Arthur, uma cidadezinha histórica e antigo presídio. Eu escrevi mais sobre ela neste post aqui.
  • Vinícolas. Como eu mencionei na parte de gastronomia, Hobart está cercada por vinícolas – e você pode fazer uma visitinha. Há diversos tours disponíveis na cidade, mas se você preferir, é só pegar o carro e chegar chegando. Não deixe de checar com antecedência se a vinícola que você quer está aberta para visitações.

Eu brincava com o Tom que, se fosse possível colocar Hobart no meio do Brasil ou da Europa – e trazer os amigos junto! -, era lá que eu ia querer morar. É longe? É. É cara? Pra caramba. Mas é maravilhosa.

E, se não dá pra morar, a gente pelo menos visita.

Boa viagem!