Um roteirinho com muito sol, sal e mar nos nossos vizinhos do norte.

Se, como eu, você também segue a página do Melhores Destinos, já deve estar cansado de ver a chamada: promoção para o Caribe colombiano, passagens com desconto para San Andrés e Cartagena. Bom, tecnicamente, o Melhores Destinos não está mentindo – o mar que banha tanto San Andrés quanto Cartagena é o mar do Caribe, a região é sim a região do Caribe e dá até pra experimentar um pouquinho da cultura caribenha em Cartagena. Mas acabou aí.

A verdade é que o Melhores Destinos – ou qualquer um que tenta passar San Andrés e Cartagena como Caribe tradicional – está tentando te engambelar (ou então eles nunca enviaram alguém pra lá). Se você quer ir mesmo ao Caribe – comer comida creole, dançar bachata, deitar na areia branca de praias paradisíacas – pule a Colômbia.

Mas isso não significa que a costa caribenha da Colômbia seja completamente desprovida de atrativos. É só que que os atrativos são um pouco diferentes daquilo que se espera (ou pelo menos, do que eu esperava). Vocês já sabem que a minha opinião sobre San Andrés não é das mais favoráveis; mas, ainda bem, tem muito mais lugares pra se conhecer. Então vamos lá!

CARTAGENA

A queridinha  da Colômbia tem sim seu charme: bons restaurantes, uma arquitetura colonial fofíssima, muitos museus e galerias, baladas mil… Mas não se deixe enganar. A cidade murada, onde fica isso tudo, é uma pequena parte de uma metrópole de 1 milhão de pessoas – e em dois dias você já viu tudo que podia e mais um pouco. Mas e praia, tem? Tem. As praias de Bocagrande são muito frequentadas pelos locais e têm boa estrutura, mas nada de águas claras e areia branquinha. Isso você vai encontrar na lotada Playa Blanca (1 hora ao sul de Cartagena de carro). Para fugir do excesso de ambulantes e turistas, tente passar a noite lá; e evite as excursões enlatadas pelas Islas del Rosário, que também incluem Playa Blanca – são tourist traps das piores, um desperdício do seu dinheiro e do seu tempo.

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A cidade murada de Cartagena é toda casinhas coloridas e flores nas varandas.

Dicas: quer ficar perto do centro histórico, mas pagando menos? Escolha uma acomodação em Getsemani. É um bairro lindinho logo ao lado da muralha, com ruas decoradas de grafite e montes de barzinhos legais. Também não deixe de fazer o walking tour da cidade (é maravilhoso e de graça!) e de dar um pulo no restaurante El Bistro: ótima comida, ótimos drinks, ótimo ambiente e ótimo preço! Me agradece depois.

SANTA MARTA, TAGANGA & O PARQUE TAYRONA

Santa Marta é uma cidade feiosa e desinteressante que fica a 230 km ao norte de Cartagena – com o trânsito e as estradas ruins, dá umas boas 6 horas de viagem de carro. Mas se Santa Marta é feiosa e desinteressante, o que as pessoas vêm fazer aqui então? Visitar o Parque Nacional Natural Tayrona, é claro. O Parque Tayrona é uma área protegida coberta de floresta nativa, cercada de praias bonitas e ainda habitada por grupos indígenas como os Koguis. Vale uma visitinha!

Para chegar lá, você pode pegar um ônibus ou na rodoviária ou no mercado central de Santa Marta (baratinho, C$6.000,00 – não dá nem 7 reais), e eles te deixam bem na entrada do parque. A partir daqui, veículos motorizados não passam, então lá dentro você tem a opção de alugar cavalos ou caminhar. A entada no parque custa C$44.000,00 (R$50,00) para estrangeiros.

A grande maioria das pessoas vai direto para o Cabo San Juan (3 horas de caminhada), que não só é uma praia linda mas também tem restaurantes e acampamento pra quem quer passar uns dias dentro do parque explorando mais trilhas e praias. Se você preferir só uma visitinha rápida, não se preocupe: dá pra fazer o passeio em um dia e pegar o ônibus de volta pra Santa Marta no mesmo lugar.

Em qualquer caso, não se esqueça de usar sapatos confortáveis e roupas leves, e de levar muito protetor solar, repelente de insetos e água. Se possível, leve lanches também pois os restaurantes do parque são poucos e caros.

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Quer uma baía inteira só pra você? No Parque Tayrona, dá pra fazer.

A outra opção para chegar no parque é pegando um barco a partir de Taganga. Taganga é uma minúscula vilazinha de pescadores grudada em Santa Marta, e é uma boa alternativa para quem quer visitar o parque mas prefere ficar em um lugar menor e mais tranquilo. Além disso, Taganga tem bons mergulhos (procure a Under Pressure) e uma ótima vida noturna. Não precisa nem perguntar onde eu escolhi ficar!

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A vista do meu hostel em Taganga. Sim, esta é a cidade inteira.

Para chegar ao Parque Tayrona a partir de Taganga é só descer até a praia da cidade (literalmente 10 minutos a pé de qualquer lugar) e pular num dos muitos barcos que saem todos os dias entre 10 e 11 da manhã. Os barcos para o Cabo San Juan custam C$50.000,00 (R$56,00), mas você também tem a opção de visitar outros lugares que são menos acessíveis a pé. Uma escolha famosa é a Playa Crystal, de águas claríssimas e ótima para snorkel, ou mesmo a Baía Cinto (da foto aí de cima), completamente deserta.

Ah, só um aviso: o passeio de barco de Taganga até o Tayrona é longo e batido. Não recomendo pra quem costuma enjoar fácil.

Dicas: Se você vai passar a noite no Parque Tayrona, prefira alugar uma rede ao invés de uma barraca. É muito mais barato e fresquinho! E pra quem vai se hospedar em Taganga, atenção: a cidade só tem um caixa automático, que geralmente está estragado ou sem dinheiro. Leve o que for precisar, ou se conforme em pegar o ônibus até Santa Marta para usar um banco decente.

PUNTA GALLINAS

Continuando para o norte – e saindo um pouco do roteiro tradicional – você vai chegar à região de La Guajira. A partir daqui não tem mais pra onde ir, a não ser que você queira cruzar para a Venezuela. La Guajira é uma região remota, de difícil acesso e com um clima rigoroso, muito árido e muito quente.

Mas se você tiver ânimo de chegar até aqui, La Guajira te oferece uma recompensa: Punta Gallinas, o ponto mais norte da América do Sul. Dominada por enormes dunas de areia que desembocam no mar do Caribe, Punta Gallinas quase não tem estrutura (que tal dormir em redes praticamente ao ar livre no meio do deserto?) e chegar aqui é um perrengue.

De Riohacha, a capital de La Guajira, você pega um colectivo (leia-se, um cata-jeca dos piores!) até Uribia. De Uribia o motorista te ajuda a arrumar um 4X4 até Cabo de la Vela. Uma noite obrigatória em Cabo de la Vela, onde não tem nada pra fazer, e no dia seguinte você tem duas opções: pegar um barco ou outro 4X4. De barco é mais rápido, mas de carro é mais agradável.

Independentemente da sua escolha, o preço final vai sair mais ou menos o mesmo, C$150.000,00 (R$170,00 ), e não deixe de planejar com antecedência – especialmente na baixa temporada, quando os transportes não saem todo dia.

E agora que você chegou à Punta Gallinas, o que tem pra fazer? Bom, o roteiro clássico inclui uma visita ao farol que marca o ponto mais norte da América do Sul, a bela Baía Hondita e as dunas de Taroa. Se você ficar um dia a mais, ganha um tempinho extra para explorar mais praias, os mangues, o deserto e, é claro, conhecer o povo local, os Wayuu.

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As paisagens desérticas da La Guajira colombiana (flickr.com/photos/pe5pe/).

Dicas: Não está afim de fazer esse trajeto monstro só pra passar 2 dias numa praia? Pegue uma excursão! Há saídas tanto de Santa Marta quanto de Riohacha em tours que duram de 3 a 4 dias com tudo incluído. Sai caro, claro, mas te poupa muito planejamento e muita dor de cabeça.

CAPURGANÁ & SAPZURRO

No lado oposto do Caribe colombiano, praticamente na fronteira com o Panamá, estão as pequenas vilas de Capurganá e Sapzurro. De Cartagena, pegue o ônibus Montería-Turbo (9 horas, C$76.840,00 – R$86,00 ) e, depois de passar a noite em Turbo, pegue o barco que sai cedo para Capurganá.

Depois da surra desse trajeto, é hora de largar sua mochila empoeirada na posada e curtir as lindas praias, as trilhas no mato (fique de olhos abertos pra ver os macacos bugios!) e os ótimos mergulhos. Sapzurro, uma vila ainda menor que Capurganá – não chegam nem carros! – e cheia de casinhas coloridas e locais vendendo peixe na rua, fica a uma “curta” caminhada distância.

Está empolgado? Pule de Capurganá para o Panamá e continue sua viagem subindo pela América Central! Os barcos para Puerto Obaldia saem só às terças, quintas e sábados, e de lá você terá de pegar um avião para a Cidade do Panamá, mas aparentemente é a maneira mais barata de cruzar da Colômbia para o vizinho de cima.

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Crianças locais brincam no pier em Capurganá (flickr.com/photos/7477378@N08/)

Dicas: Leve muito, MUITO repelente! Os mosquitos e as moscas de praia são terríveis nesta região e ficam ainda piores à noite, quando a eletricidade cai e os ventiladores te deixam na mão. Outro problema é a comida – que não é ruim, mas é cara. Leve lanchinhos fáceis (sanduíches, castanhas, frutas) para baratear sua viagem.


Pronto, agora você já tem o suficiente pra se manter ocupado por um mês inteiro de sal, sol e mar. Encha a mala de roupinhas leves pra enfrentar o calor opressor, encha o telefone de boas músicas para aguentar os longos trajetos e vá encher sua máquina de fotos lindas.

Boa viagem!