Pegou todos os documentos? E as vacinas já tomou? Aqui você encontra algumas dicas de preparativos finais pra deixar sua viagem mais tranquila.

Com minha próxima aventura se aproximando (Colômbia, aí vou eu!), eu já comecei a fazer listas e preparativos finais antes de pôr o pé na estrada. Já escrevi neste post aqui algumas dicas de como montar seu mochilão de forma mais prática e leve, mas e o resto? Nem só de mochila vive um mochileiro, e é importante se planejar mesmo antes de viagens curtas.

Então aqui vão algumas dicas para pôr em prática nas semanas que antecedem uma aventura – e que podem facilitar muito a sua vida.

  • DINHEIRO  E CARTÕES

O óbvio do óbvio: nem sempre dá pra colocar um punhado de reais na mala e esperar que os outros países todos aceitem a nossa moeda nas casas de câmbio. Às vezes isso de fato funciona, por exemplo se você for visitar algum dos nossos vizinhos sul americanos, mas às vezes nem isso dá certo. Quando fui à Argentina no ano passado, o país estava numa situação tão difícil que os próprios moradores passavam horas nas filas do banco para sacar uma mixaria. Meus reais não valiam nada, eu custava a trocá-los, e só conseguia taxas péssimas. Resultado: minha amiga que tinha comprado dólares no Brasil se deu muito melhor.

Para meu próximo destino na América do Sul resolvi fazer meu dever de casa e a pesquisa valeu à pena: na ilha de San Andrés é melhor levar dólares, mas nas cidades continentais da Colômbia, o real continua sendo uma aposta melhor. Vai entender.

No meio dessa incerteza toda, a solução mais comum é usar o dólar americano, que é a moeda mais aceita, uma das mais valorizadas (no momento), e simples o suficiente de se conseguir praticamente em qualquer lugar. Mas nunca deixe de pesquisar a situação do país para o qual você vai, assim como opções alternativas. Em Cuba, por exemplo, o dólar americano vale pouquíssimo, e cobram-se taxas altíssimas na troca da moeda. Muitos turistas inclusive preferem levar dólares canadenses quando visitam o país.

Também vale à pena descobrir se na sua cidade é possível trocar dinheiro diretamente para a moeda que você quer. Dólar australiano, libra esterlina, euro, pesos argentinos… Muitas moedas são comuns o suficiente pra você trocar direto por real e evitar a dupla conversão – que sempre sai mais cara.

Por fim, dois conselho clássicos, mas que sempre vale à pena repetir:

  • não vá com quantias grandes demais, pode te trazer problemas para atravessar a aduana ou arruinar sua viagem completamente se você for roubado/perder o dinheiro.
  • não mantenha todo o seu dinheiro num mesmo lugar; ao invés disso, divida-o em 3 ou 4 maços e guarde em lugares seguros. Assim se você for um cabeça de vento como eu e deixar a carteira pra traz, ainda tem como se virar com a graninha do par de meias.

Bom, se não vou levar todo o dinheiro que preciso, então como arrumo dinheiro quando chegar lá? Com cartões, é claro. Neste caso, não se esqueça de habilitar seu cartão para uso no exterior, o que, para certos países (como Peru, Bolívia e Paraguai no caso de clientes do Banco do Brasil) envolve ir até a agência e conversar com seu gerente.

Se seu cartão não é internacional, ou se você simplesmente quer uma opção a mais, eu recomendo fazer um cartão Visa Travel Money. O cartão é feito de graça, existem várias moedas pra você escolher (eu tenho três: um de dólar americano, um de euro e um de pesos argentinos!) e pode ser usado no mundo todo (ou quase) como cartão de crédito, débito e saque. É só colocar uma quantia qualquer e sair usando. Ah, e minha parte preferida é que se você perder o cartão, eles te entregam outro em questão de dias, não importa aonde você estiver

  • PASSAPORTE E VISTOS

Bom, se você tem poucos dias ou semanas até sua viagem, o passaporte e os vistos já estão todos em dia né? Mas só pra revisar: viaje sempre com um passaporte que tem no mínimo 6 meses de validade, mas preste atenção: alguns países exigem 12 meses. Também é bom garantir que você tem páginas suficientes e, no caso de um mochilão mais longo, talvez valha à pena pedir um passaporte especial com páginas a mais. Sai mais caro, mas facilita sua vida no final contas.

Como o passaporte brasileiro tem se tornado cada vez mais bem aceito, muitos países dão o visto na entrada. Ainda assim, não dê bobeira e leve documentos que mostram que você foi preparado: passagem de volta, endereço de estadia, carta-convite de parentes e amigos… qualquer coisa que prove que você não é um desleixado e não vai se tornar um estorvo pro país. Eu já passei perrengue pra entrar na Inglaterra, que em teoria era pra ser um país bem de boa, porque não sabia o CEP (poisé, só o CEP) do meu namorado.

Para os países que exigem o visto com antecedência, não deixe de pesquisar os prazos (quanto tempo esse visto vai demorar a sair?) e os tipos de vistos disponíveis. Não adianta nada tentar um visto mais longo ou melhor que não se aplica ao seu caso, sem contar que pedir o visto errado pode pesar bastante no bolso.

  • OUTROS DOCUMENTOS

Passagens, reservas de hotéis, vouchers de passeios… meu único conselho aqui é: imprima tudo. Eu sei, eu sei, estamos na era digital. Podemos fazer check-in dos nossos telefones e sequer precisamos de cartão de embarque – recebemos uma cópia por e-mail e já vamos entrando na sala de embarque só com o QR code. Sim, é muito conveniente e útil, mas imprevistos acontecem.

Em Myanmar, minha bateria acabou e eu não conseguia sequer achar o número do meu e-ticket na hora do check in. Tive que contar com algumas habilidades teatrais minhas e a boa vontade de um funcionário que me deixou carregar o telefone no balcão por 5 minutos. Pois é, ainda tem muito aeroporto no mundo que não tem tomada ou wifi, ainda existem funcionários desastrados que perdem sua reserva do hostel, ainda tem empresa chata que só faz seu transfer com o voucher, mesmo com seu nome na lista.

Então, pra evitar isso tudo, imprima o que você puder. É rapidinho, e você sempre pode ir se livrando dos papéis na medida em que usá-los. Aliás, cópias do próprio passaporte e dos vistos também nunca machucaram ninguém. Ah, e leve um documento extra – carteira de identidade, de motorista, de categoria profissional… Serve como documento de identificação no dia a dia (a maioria dos lugares aceita a identidade mesmo estando em outra língua) e você pode deixar seu passaporte, que é muito mais importante, trancadinho em segurança no hostel.

  • VACINAS

Para nós brasileiros, a vacina mais importante é a de febre amarela. Não necessariamente porque vamos a muitos países que tenham a doença (como vários no sul da África ou sudeste da Ásia), mas porque nós temos a febre amarela no Brasil, e os outros países não querem que a gente entre contaminando todo mundo.

A vacina de febre amarela deve ser tomada uma vez a cada dez anos, e dizem que depois de três – ou mesmo duas – doses você já está completamente imunizado e não precisa tomar mais. Eu não sei se acredito nisso, então continuo tomando; vou para minha quarta dose ano que vem. Depois de tomar sua vacina, é só levar o cartão até a Anvisa que eles te dão o Certificado Internacional e pronto, você já pode sapecar pelo mundo sem problemas.

Outras vacinas que alguns países exigem (e que são importantes para proteger sua saúde, é claro), são as de hepatite B e A, meningite, tétano, difteria, pólio, raiva e febre tifóide. A maioria das pessoas já está vacinada para muitas destas doenças, então não deixe de verificar seus cartõezinhos antigos – e, é claro, quais vacinas são importantes para o país que você vai visitar.

Uma dica final: leve seu cartão de vacinação internacional junto com seu passaporte independentemente do destino. Às vezes seus planos mudam, voluntariamente ou não, e você acaba em um país que exige o cartão. Eu por exemplo tive que fazer uma conexão no Panamá quando voltei de Honduras para o Brasil, e tive que mostrar meu certificado de vacinação pra febre amarela. Imagina se não estivesse comigo?

  • SEGURO SAÚDE

Uma daquelas coisas que a gente faz, mas torce pra nunca precisar. Muitos países, como o próprio Brasil, tem sistema público de saúde – mas isso não significa que ele inclua turistas, e mesmo que inclua, certos tratamentos são pagos (justamente os mais sérios e caros).

Então eu sempre indico procurar uma boa agência de viagens que possa te recomendar o seguro saúde com melhor custo benefício para o seu caso. Dica: as agências de intercâmbio costumam ser bem mais baratas. Você também pode ver com a sua operadora de cartão de crédito ou seu banco se, ao comprar sua passagem, o seguro saúde vem incluído (como é meu caso com o banco Itaú). Facilita bem a vida – especialmente se você é uma desastrada como eu que sai quebrando o pé por aí. Existem também seguradoras online, inclusive internacionais, que saem bem baratinhas, mas nunca usei o serviços delas então não tenho muita informação nesse departamento ainda.


Então galera, espero que essas dicas tenham ajudado pelo menos um pouquinho.

Tem mais alguma coisa que eu esqueci? O que não pode faltar na sua to do list antes de uma nova aventura?