Quem não tem uma listinha – mesmo que mental – das coisas que quer fazer na vida? Se você disse não, então é hora de começar!

Eu comecei a minha aos quatorze anos, em um caderninho da capricho que tinha ganho no Natal. A lista das coisas que eu gostaria de fazer antes de morrer. Não coisas grandes – como casar, ter filhos, comprar casa… Não. As coisas menores, que dependem só da gente; os pequenos objetivos. Na minha lista estavam tingir o cabelo de ruivo, falar francês e aprender a dançar tango. O primeiro eu fiz em 2014 (e pretendo fazer de novo, ficou ótimo!); o segundo eu comecei em 2008 e não parei mais; e o terceiro, exceto pelas milongas portenhas que visitei  nas minhas viagens, ainda está longe de ser cumprido.

Eventualmente e sem querer, minha lista ganhou nome: the Bucket List. Explico: The Bucket List é o nome de um filme que retrata as aventuras de dois senhores doentes que, ao se verem no final da vida, resolvem fazer as coisas que sempre quiseram, mas nunca tiveram a oportunidade. É a lista de coisas para se fazer antes de “chutar o balde” –  que, em inglês, é uma expressão para morrer. Em português, o filme ganhou o nome de Antes de Partir. Pode ver que é bonitinho. Os atores são ótimos e a lição é clara: não deixe para viver as coisas boas quando você for velho, pode ser tarde demais.

Agora, quem nunca adiou os próprios projetos, não é mesmo? “Esse ano eu aprendo a cozinhar!” E lá está você, no ano seguinte, fazendo miojo. Bom, eu pessoalmente adoro miojo, mas a questão não é essa. A questão é que coisas mais importantes aparecem – o namorado, a faculdade, o emprego, o filho, a prestação do apartamento – e a bucket list, que já não era prioridade, acaba completamente esquecida. É falta de tempo, de dinheiro, de energia…

Outro problema que eu tenho é o da bucket list eterna. Você também passa por isso?

Comecei a aprender francês porque acho a língua maravilhosa. Na época, eu não tinha o menor interesse pelo país ou pela cultura; eu tinha tirado meu diploma de inglês e simplesmente queria aprender mais uma língua. Duas horas por semana, alguns minutos de dever em casa, daqui a alguns anos já posso riscar esse item da minha lista. Certo?

Que nada! Apesar de estar estudando há anos, e de ser capaz de segurar uma conversa ou ler um livro, eu estou longe de achar que aprendi o suficiente. Além disso, agora eu quero passar três meses na França. Ou melhor, seis meses, pra dar tempo de fazer o curso de Civilização Francesa da Sorbonne. Quero ler Proust no original (comecei hoje, me desejem boa sorte). Quero aprender a cozinhar batatinhas Dauphinoise. O meu “falar francês” virou toda uma sub-categoria de coisas.

Quando a gente viaja, aí é que a lista só se multiplica mesmo! Você chega naquele lugar dos sonhos, aquele que você passou anos juntando dinheiro pra ir, aquele que era o primeirinho da sua lista. E aí você descobre que as duas semanas de férias não vão dar pra nada, que tem muito mais coisa pra fazer/ver/visitar do que você tinha imaginado e, pra avacalhar tudo de vez, você ainda conhece pessoas que te dão dicas de mais 10 lugares maravilhosos pra visitar.

Pronto, agora fudeu geral. Não só tenho que  voltar aqui, como tenho mais 10 coisas pra colocar na bucket list.

E agora?

Agora a gente segue em frente, de um em um, riscando o que der e acrescentando o que quiser; nesse caso, é melhor pecar pra mais do que pra menos, não acham? Imagina não ter nada que você quer fazer da vida? Nenhum objetivo? Nenhum sonho? Aí não dá!

Então resolvi aproveitar esse primeiro post de ano novo (ligeiramente atrasado, admito) para convidar todo mundo a colocar uma coisinha da sua bucket list nas suas resoluções de 2017. Não vale “quero emagrecer”, “quero ficar rico”, “quero comprar carro”… Só valem coisas divertidas! Algo seu, algum desejo. Não precisa ser prático, nem útil, nem complicado. Olha eu lá no começo, tingindo o cabelo de vermelho.

Vai lá, coloca na lista, começa a planejar… depois volta aqui e me fala o que é! Quem sabe você me ajuda a aumentar a minha bucket list ainda mais?

Feliz 2017.