Às vezes a gente tem que admitir a derrota e desistir.

Recapitulando: eu torci o pé em Honduras, passei uns dias descansando tranquila , o pé começou a melhorar, e eu decidi que era hora de ir embora. (Pra quem quer saber mais ou relembrar a estória completa, é só ler esse post aqui).

Então no domingo, depois de mais uma super festa (dessa vez sem graves consequências), eu acordei cedo –  o barco para La Ceiba, no continente, sai às 6 da manhã – e comecei minha jornada para…para onde mesmo? Eu ainda não sabia. Originalmente, minha ideia era ficar por La Ceiba mesmo. Apesar de a cidade em si não ser das mais atraentes, eu tinha ouvido dizer que valia à pena visitar as cachoeiras das redondezas. E o rafting lá é bem famoso!

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Montanhas cobertas de floresta ao redor de La Ceiba. (flickr.com/photos/graeme/)

Agora, o pé podia até ter melhorado, mas não o suficiente para sair por aí fazendo rafting.

Então nada de ficar em La Ceiba. Assim  que o barco chegou, eu pulei num táxi, fui pra rodoviária e peguei um ônibus para San Pedro Sula. Além de ser a maior e mais importante cidade de Honduras – de onde saem todos ônibus para o resto do país, então você é obrigado a passar por lá quer queira quer não, independentemente de onde estiver indo -, San Pedro Sula é também famosa por aparecer com frequência nas listas de cidades mais perigosas do mundo. Às vezes em primeiro lugar.

Eu não tinha a menor intenção de ficar por lá, e nas quatro horas que passei dentro do ônibus, tive tempo pra pensar. Me faltavam cinco semanas de viagem. Minha passagem de volta saía de Cancún. Eu tinha vindo para a América Central justamente pra conhecer o México, mas tinha passado menos de duas semanas lá. Talvez fosse hora mesmo de voltar.

E então veio o problema.

Barco, táxi, ônibus, mochila de dez quilos nas costas, trinta e cinco graus de sol na cabeça… se meu pé tinha melhorado ao longo da semana anterior, agora ele parecia ainda pior que no primeiro dia. Muito inchado, muito vermelho, muito dolorido. Eu não tinha a menor chance de chegar ao México desse jeito – não da maneira que eu pretendia, atravessando a Guatemala de ônibus.

Bom, é pra isso que existem aviões, não é mesmo?

Pronto, aí está meu plano: vou direto pro aeroporto, pego um avião, e volto pra Playa del Carmen. Lá eu posso procurar um hospital, voltar pro Lobo de Mar (hostel perfeito, pode anotar o nome), e passar minhas últimas semanas escrevendo, indo à praia e bebendo tequila. Perfeito.

Pedi pro ônibus me deixar o mais perto possível do aeroporto – ou seja, no meio da estrada -, pulei num táxi, e em poucos minutos cheguei ao caótico aeroporto de San Pedro (o maior de Honduras, e ainda assim minúsculo).

“Moça, quando sai o próximo voo pra Cancún, por favor?”

“Seis da tarde.”

“Maravilha! Quanto é?”

“700 dólares.”

“O QUE?”

“700 dólares.”

“Nossa.. é porque eu estou comprando em cima da hora? Fica mais barato mais pra frente essa semana?”

“Não, não. Esse é o preço mesmo, todos os dias.”

“Não fica mais barato?”

“Não.”

Fodeu. Na Ásia, eu comprava passagens de emergência o tempo todo, e sempre dava certo; nunca paguei mais que 300 reais. Parece que aqui as coisas são um pouquinho diferentes.

Não posso continuar  de ônibus, meu pé não dá conta. Será que tem passagens de avião mais baratas para El Salvador ou Nicarágua? Affe, de que adianta… não quero chegar num país novinho em folha, cheio de coisas legais para explorar, e não poder fazer nada direito. E não vou pagar $700 dólares pra ir pro México; por esse preço eu vou pra casa.

É, por esse preço eu vou pra casa. Por que não?

Melhor ser paparicada pela mãe do que ficar gastando dinheiro pra passar aperto num país estranho, por mais que esse país estranho seja maravilhoso como o México. Aventura tem limite, né galera?

Pulei pro balcão da Copa Airlines e – vejam só o universo conspirando – tinha um voo pra Belo Horizonte saindo em quarenta minutos. Sim, um voo de Honduras para Belo Horizonte, com apenas uma escala no Panamá. Eu podia chegar em casa em menos de quinze horas.

Mas, como nós sabemos, o universo não é assim tão bonzinho: quando tentei pagar, meu cartão  de crédito foi recusado. Tentei o cartão da minha mãe, que eu levo pra emergências. Recusado. Tentei falar com meu namorado pra ver se ele conseguia comprar a passagem online pra mim; sem resposta.

Fiquei sentada no chão do aeroporto, minha bagagem espalhada para todo lado, com o computador no colo e o celular na mão, tentando desesperadamente falar com alguém que pudesse ajudar: o banco, o site de venda de passagens, alguém da minha família… Quando o cartão foi finalmente liberado, o avião já tinha partido.

“Não se preocupe senhora, tem outro voo amanhã. Mesmo horário, mesmo preço.”

Sim, outro voo. Amanhã. Mas e até lá, o que é que eu faço?