Também conhecido como o dia em que eu “quebrei” o pé numa balada em Honduras.

Antes que alguém venha reclamar, já vou dizendo: eu sei que quebrar o pé não é a pior coisa que pode acontecer durante uma viagem. Longe disso! Mesmo porque eu sequer quebrei o pé de verdade – só falo isso porque é mais fácil explicar assim. Mas eu já estou aqui de molho há quase dois meses, essa brincadeira me custou quase cinco semanas de viagem, então, por enquanto, no meu vasto hall de imprevistos, este está levando a medalha de ouro.

Agora, como eu disse no último post, é uma boa estória. E eu prometi contar. Então vamos lá.

Eu estava em Utila, uma ilha em Honduras famosa pelos mergulhos bonitos e baratos, e que por isso atrai uma quantidade absurda de mochileiros. E onde tem uma quantidade absurda de mochileiros, pode saber que tem muita festa. Ótimo, adoro festa!

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Utila é mergulho (flickr.com/photos/42032978@N08/)…
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… e tranquilidade (flickr.com/photos/ohira5/)…
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e muita muita farra! (flickr.com/photos/seo2/)

Então um belo dia – ou melhor, uma bela noite -, quando eu não tinha nenhum mergulho marcado para a manhã seguinte, eu e alguns amigos resolvemos cair na balada e fazer alguns dos “desafios” que os bares em Utila propõem.

Que desafios?, você me pergunta. Pois bem, deixe-me explicar: alguns bares (e até moradores locais, em suas casas mesmo!) fazem promoções picaretas nas quais você paga X dinheiros e faz umas prendas bobas em troca de alguns drinques e uma camisa exclusiva do dito bar. É uma bobagem enorme, mas a gente faz pela farra, não é mesmo?

Não, de forma alguma. Depois que eu percebi que era muito mais barato comprar as bebidas separadamente e que as camisas eram horrorosas, eu resolvi me poupar do mico de ficar dando voltas na mesa de sinuca sem camisa (sim, essa era de fato uma das prendas) e simplesmente beber por conta própria.

Ainda assim, foi muito rum. E muita tequila. E muita cerveja. E muita dança. Metade do povo da minha escola de mergulho tinha resolvido sair naquela noite, e eu ainda encontrei amigos que tinha conhecido em Belize. Então sim, foi uma noite e tanto!

Enfim, lá estava eu; feliz e bebinha, dançando um reggaeton bem animado, quando de repente: CAPLOFT! Eu estava no chão. Torci o pé direito em uma tábua desnivelada e fui direto ao chão. Na mesma hora – e por sorte – uma paramédica veio correndo me atender: me mandou ficar sentada, me examinou e pegou gelo. De acordo com ela, não tinha quebrado nada, era “só” uma torção feia mesmo.

Mas a dor era absurda e eu não conseguia apoiar meu pé no chão, então resolvi ir embora. Algumas amigas insistiram em ir comigo, ou no mínimo me colocar num tuk tuk, mas se eu já sou teimosa normalmente, bêbada então eu fico impossível. Falei que ia embora a pé e sozinha, e foi o que eu fiz.

Aliás, foi o que eu tentei fazer, mas não durei meio quarteirão. Assim que um moço aleatório parou com a moto do meu lado e me ofereceu uma carona, eu aceitei. Ele me deixou na minha escola de mergulho, eu me arrastei pro quarto, tomei um anti-inflamatório e fui pra cama.

Não precisa nem falar que eu dormi super mal e acordei mega assustada no dia seguinte. Eu não estava de ressaca, e eu me lembrava de tudo que tinha acontecido, mas meu pé estava três vezes do tamanho normal, no mínimo. Eu não conseguia andar e sequer podia procurar um médico ou uma clínica, porque a ilha é minúscula e os únicos médicos disponíveis são:

  1. O mocinho que examina seus ouvidos e te libera pra mergulhar, e
  2. O velho doido que te cobra 10 dólares e te dá uma receita qualquer só pra você faltar trabalho. Ah, ouvi dizer que se você aparecer com um problema de verdade, ele te receita cocaína.

Acho que nenhum desses dois gênios podia me ajudar.

Parti então pro meu plano B de praxe: liguei para minha irmã, que é médica. Assim como a moça que tinha me atendido na noite anterior, ela falou que não parecia estar quebrado. Eu tinha que colocar o pé pra cima, colocar gelo e esperar. Se nada mudasse em três dias, então era melhor pegar o barco pro continente e procurar um hospital.

Bom, ordens são ordens. Passei alguns dias balançando na rede e lendo um monte de best sellers emprestados; e não é que o pé melhorou? A dor diminuiu, o inchaço diminuiu, eu até voltei a mergulhar – sempre vestindo o equipamento dentro d´água, pra não carregar peso – e a sair, apoiando na ponta do pé quando precisava andar e pegando tuk tuks quando podia.

No final das contas, minha semana em Utila foi uma das melhores da viagem! Conheci pessoas fantásticas, descansei bastante (por coincidência, eu estava sem trabalho), fiz mergulhos lindos e comi até. Sim, uma semana quase perfeita.

Mas como tudo na vida, tinha que acabar. Minha semana passou, a hora de ir embora chegou… e as coisas começaram a desandar de vez.