Uma mensagem para aqueles que acham que viajar é sinônimo de esquecer as regras.

Sim, eu sei que já comecei mal. Primeiro porque estou escrevendo em português e você provavelmente nunca vai ler isso. Mas a verdade é que esse post é mais um desabafo do que qualquer outra coisa – sem contar que eu sempre posso traduzir ele mais pra frente… Então vou escrever assim mesmo, ainda que você nunca leia.

Também sei que comecei mal ao sair chamando você de gringo, assim sem mais nem menos. Acredite em mim, nem sempre “gringo” é uma palavra ofensiva – e nesse caso não é mesmo! Eu só queria uma maneira de me referir a você, companheiro de viagem rico, branco e  que nasceu em um país de primeiro mundo. Tá, “rico” e “primeiro mundo” também não ajudam muito, mas você sabe o que eu quero dizer.

Se não sabe, então eu vou ser bem clara: eu quero dizer que você é privilegiado. Você nasceu e cresceu em um país desenvolvido. Você sempre teve acesso não só a casa, comida e roupa lavada, como também à educação, segurança e entretenimento. Você nunca sofreu qualquer tipo de violência ou de preconceito. Você tem a oportunidade de trabalhar com o que quiser e de viajar para onde quiser. Sim, você tem muita sorte.

E não tem nada errado com ter sorte. Ora bolas, eu também tenho! Eu também sou rica para os padrões brasileiros. Eu também sou privilegiada, tive boa educação, tenho acesso à saúde, estou aqui viajando no mesmo pé que você. Mas o fato de ser brasileira me dá sim uma percepção um pouco diferente, e isso às vezes me faz odiar você.

“Gente, mas porque?” Pelo seguinte, amiguinho gringo:

  • Você vem para uma país que fala uma língua diferente da sua, mas você não se dá o trabalho de aprender sequer um “bom dia”, um “obrigado” ou um “por favor”. Mais que isso, você fica puto quando os moradores locais não falam inglês! Ora por favor…
  • Você adora encher a cara de drogas. É maconha pra lá, é cocaína pra cá; é álcool todos os dias, o dia inteiro. Você já parou pra pensar de onde vem isso tudo? Ou quem está sendo afetado? Ou mesmo que você está quebrando as leis do país, assim sim mais nem menos? Pouco me importa que todo mundo está fazendo, você é melhor que isso.
  • Não me importa quantas semanas, meses ou anos você tenha passado no Brasil: você não conhece meu país (ou minha língua) melhor que eu. Não insista.
  • Sério que você usa água mineral até pra escovar os dentes? SÉRIO?
  • Toda vez que você fala “The Great British Empire” (ou qualquer coisa do gênero), eu tenho que me segurar pra não enfiar a mão na sua cara. Vai estudar um pouco de história e aprender a merda que seu país fazia nas colônias. Essas mesmas colônicas que você está visitando agora. Não, não é pra ter vergonha – afinal, você pessoalmente não fez nada – mas também não é pra sentir orgulho.
  • Você veio aqui pelas prostitutas? Pelas “massagens”? Pelos shows de ping pong? Nós não somos mais amigos, sai de perto de mim.
  • Eu entendo que você não vê sol há seis meses, mas você tem que aprender a se vestir de acordo com os costumes locais, não com seu desejo de pegar um bronzeado. Os moradores aqui tem costumes e religiões diferentes das suas; se eles ficam ofendidos com sua (falta de) roupa, dê um jeito.
  • Você nunca jogaria lixo no chão em casa, porque você faz isso aqui?
  • Que tal um pouco mais de paciência e respeito com os vendedores ambulantes, taxistas e afins? Sim, às vezes eles enchem o saco, eu concordo, mas você acha que eles querem ficar te perseguindo rua abaixo, te implorando pra comprar uma coisinha sequer? Você não acha que eles estariam fazendo outra coisa se tivessem opção?
  • Três meses na América Central e você vai comer hambúrguer e pizza todos os dias? Não vai pegar um chicken bus ou tuk tuk? Não vai trocar uma palavra com gente que não seja do seu país? PRA QUE ENTÃO VOCÊ VEIO, MEU FILHO?!?

 

Affe, estou ficando exaltada…

A lista podia continuar, mas acho que você já entendeu o que eu quero dizer.

É claro que cada um viaja do seu jeito, quem sou ou pra te dizer o que fazer… mas às vezes eu tenho a impressão que você só vem pra avacalhar. Você vem pela farra, porque aqui você pode fazer o que bem entender sem ser punido. E no processo você se esquece de demonstrar o devido respeito pelo país e pela cultura que está visitando.

Você sequer já pensou no poder que tem, enquanto turista? Tem cidades inteiras aqui que giram em torno de você! E dependendo do que você diz e faz, você piora (ou melhora) a situação das pessoas que moram aqui. Que tal, ao invés de ser babaca, agir direito e dar o exemplo? Já pensou nisso?

Não? Então poder começar.

Estou contando com você.

Ah, e espalhe a mensagem, por favor!