Um desabafo pessoal para quem tá afim de atrapalhar a folia alheia.

O carnaval chegou, galera.

Bloquinho de rua, desfile de escola de samba, fantasia, música, dança, cerveja, amigos… eu ADORO carnaval! Minha mãe sempre levou a gente pra pular carnaval, desde pequenininhas – fantasia completa, as mãozinhas cheias de confete. Já passei muito carnaval em família na praia, tive a fase de carnaval em cidades do interior de minas (Ouro Preto, Diamantina, Pompéu, Abaeté…), já desfilei em escola de samba no Rio, e agora estou vendo o carnaval de Belo Horizonte renascer das cinzas e tomar a cidade.

Já não era sem tempo.

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Em 2012, esperando pra entrar na sapucaí pela Salgueiro. Nossa fantasia é de Dona Morte!

Também já perdi muito carnaval, por querer ou sem querer. Ano passado, por exemplo, eu estava morando em Koh Tao, na Tailândia. Nada de carnaval pra mim. Festa na praia todo dia, sim. Namorado inglês maravilhoso, sim. Pessoas incríveis do mundo inteiro, comida deliciosa, vistas paradisíacas, sim. Mas carnaval, não.

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Koh Tao tem fire shows lindos na praia… Mas não era isso que eu estava querendo (fonte: flickr.com/photos/jaydubproductions/)

Como eu fiquei deprimida! Foi a única vez em seis meses que eu quis voltar pra casa. Eu via as fotos e os vídeos dos meus amigos no facebook, todo mundo fantasiado se divertindo, e morria de inveja. Prometi a mim mesma que não ia perder o próximo carnaval por nada nesse mundo – e esse é um dos motivos pelos quais eu ainda não parti para minha próxima aventura. Eu estava só esperando por essa semana.

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Os tradicionais bonecos gigantes de Olinda – um carnaval que eu ainda não conheço, mas que está na minha bucket list (fonte: flickr.com/photos/prefeituradeolinda/).

Mas justo esse ano que estou aqui, tem uma coisinha me incomodando. Uma coisinha bem pequena, quase um nada… Não sei se está acontecendo com vocês, mas de umas semanas pra cá minhas redes sociais (e às vezes até minhas conversas ao vivo mesmo) foram invadidas por pessoas revoltadas contra o Carnaval. Claro, tem gente que não gosta da festa – sempre teve, sempre vai ter -, mas a questão dessa vez não é essa.

A questão é a crise.

Brasil está em crise: econômica, política, social. É uma crise feia, e eu não acho que vamos sair dela tão cedo. E eu de repente descobri muitos amigos e conhecidos que acham um absurdo a gente querer celebrar o Carnaval no meio da crise. A ideia é que estamos sem dinheiro, nossos políticos estão roubando mais do que nunca (estão mesmo?), nossa economia vai de mal a pior… e vamos comemorar? Vamos fazer farra na rua? Pular, dançar, beber, ser feliz? No meio da crise? Não. Nós temos que ser austeros, nós não temos o que festejar, nós temos que criar vergonha na cara e gastar com prioridades – e Carnaval não é prioridade.

Sério, galera? Sério mesmo?

É uma festa tradicionalíssima, não só no Brasil mas no mundo todo. É democrática, na rua: todo mundo participa. Movimenta a economia, atrai turistas do mundo todo. E mesmo que não fosse assim, e daí? Só porque o país não está no melhor dos momentos as pessoas não devem pular Carnaval? É cultura, é entretenimento, faz bem pra cabeça e pro corpo… a vida já está difícil, cortar a diversão do povo vai ajudar em que?

Não quer participar, beleza – eu já passei alguns carnavais em casa vendo filme também. Mas deixa a gente ser feliz, poxa!

Pronto, falei. Agora deixa eu ir que daqui a pouco tem bloquinho…