Gosta de raias? Você veio ao lugar certo.

Segundo dia, vamos lá.

Você já sabe o procedimento padrão: porto, barco, donuts. Duas horas de navegação. Briefing, equipamento e estamos na água. A diferença é que hoje estou me sentindo ótima. Amigdalite? Que amigdalite? Além disso, temos algumas mudanças na tripulação: o Paul foi embora, então ficamos só eu e a francesa com a Michelle. Uma família de chilenos também se juntou a nós – os pais vão fazer snorkel enquanto o filho, Jorge, faz mergulho livre. Adoro encontrar sul americanos viajando! Ainda mais aqui na Ásia, que tem tão poucos…

Nossa primeira parada é em Sebayur Kecil, que parece bastante com os belos mergulhos do dia anterior. Sim sim, muito bonito, mas legal mesmo é o segundo mergulho, em Siaba Kecil. Cuidado para não confundir os nomes! É tudo parecido mesmo… Em Siaba Kecil, a correnteza forte trabalha a seu favor: você se joga nela e vai embora. É o que chamam de drift dive, o mergulho à deriva. Pra quem gosta de ir devagar e ver detalhes, não recomendo. Também não recomendo se você costuma ter dificuldade para descer, seja por ansiedade ou por problemas no nariz/ouvido, porque o grupo não tem como te esperar lá embaixo e você acaba se perdendo.

Pra mim, drift dive é só diversão!

Nemos (fonte: www.flickr.com/photos/39891373@N07/)
Nemos (fonte: flickr.com/photos/39891373@N07)
Você acha que vai cansar de tanto ver tartaruga, só que não! Elas são lindas demais (fonte: www.flickr.com/photos/39891373@N07/)
Você acha que vai cansar de tanto ver tartaruga, só que não! Elas são lindas demais (fonte: flickr.com/photos/39891373@N07)

Ao voltarmos para o barco levamos uma bronca do Oliver: demoramos demais e enquanto isso a correnteza ganhou força; se não tivéssemos saído a tempo teríamos sido levadas para mar aberto. Lembrando mais uma vez: para mergulhar em Komodo é bom ter, no mínimo, o certificado avançado. E ainda assim, os instrutores estão cheios de estórias macabras pra contar de acidentes e mergulhadores perdidos. Mas tudo bem, estamos todas sãs e salvas; é hora de almoçar e ir para o mergulho mais famoso (e esperado!) de Komodo: Karang Makasar.

Apesar desse ser o nome oficial, Karang Makasar é mais conhecido como Manta Point. Sim, um ponto de mergulho só pra ver raias manta. Pra quem não sabe, a raia manta é a maior do mundo e pode chegar a sete metros de envergadura. São tão grandes que conseguíamos vê-las do barco: enormes sombras deslizando logo abaixo da superfície.

Ao entrar na água já percebo que estamos com sorte: aqui o mar está parado. Como esse mergulho é só para observação das raias, o ideal é arrumar um ponto qualquer, fincar as mãos no chão e esperar elas virem. Sem nadar. Não se deve chegar perto demais nem interagir com elas, é só ficar quieto e olhar.

A paisagem lá em baixo não é das mais interessantes, ainda mais depois do que vimos ontem e hoje. São colinas de areia e rocha, com um eventual montinho de corais e anêmonas. Em comparação com os outros pontos de mergulho, há poucos peixes, e a maioria deles são Dorys. Estou encantada, nunca tinha visto uma Dory antes!

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Continue a nadar, continue a nadar, continue a nadar, nadar, nadar (fonte: flickr.com/photos/gottcha78)

Alguns poucos minutos e já vemos nosso primeiro grupo de mantas. São três, voando com a maior leveza do mundo. Como um bicho tão grande e esquisito consegue ser tão gracioso e ágil? Maravilhados, nos achatamos no chão e esperamos elas passarem. Continuamos devagar e logo vemos mais uma, mais duas, mais quatro. São tantas que depois da número 25 (sim, eu contei) eu perco a conta. Grandes, pequenas, sozinhas, em grupo, rápidas, lentas. Tem raia para todos os gostos.

Essas quatro passaram apostando corrida...
Essas três passaram apostando corrida…
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… e essa aqui chegou tão perto que quase nos deu um pedala.
Talvez eu devesse aprender mergulho livre.
Talvez eu devesse aprender mergulho livre.
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Sim, eu definitivamente devia aprender mergulho livre.

Nosso tempo está acabando, é hora de deixar as raias dançantes. Como o mergulho foi raso não precisamos fazer parada de segurança, então eu peço à Michelle pra nos dar só mais alguns minutinhos. Ela concorda e, logo antes de subirmos de vez, uma última surpresa: uma raia completamente negra passando ao longe. Que sorte! A maioria das raias manta tem a barriga branca e as costas pretas, mas não essa – pretinha, pretinha, dos pés à cabeça. É o Batman das raias mantas.

Uma raia negra (fonte: www.flickr.com/photos/travels_with_tam/)
Uma raia negra (fonte: flickr.com/photos/travels_with_tam/)

Perfeito! O sonho de todo mergulhador.

Só tenho mais um dia na ilha de Flores, meu barco de volta para Lombok sai no dia seguinte à noite… eu queria conhecer a praia de Labuanbajo, ir à cachoeira que tem ao norte da cidade, talvez fazer uma excursão para as cavernas onde tem raposas voadoras. Mas isso tudo vai ter que ficar pra outra visita, porque amanhã eu vou é mergulhar de novo.