Um dia de turista na ilha de Lombok.

Vamos, vamos, vamos! De Gili Air até Labuanbajo, passando por Komodo.

Primeiro passo: um barquinho saculejento me leva até a Lombok. Aqui mesmo já conheço meu primeiro companheiro de viagem, um senhor francês super simpático que fala inglês tão bem quanto seria de se esperar para um senhor francês – ou seja, não fala. Me esqueci o nome dele, então vou chamá-lo de Louis. Chegando em Lombok, na pequena vila de Bangsal, fazemos uma curta caminhada até o ponto onde o mini-ônibus da empresa nos aguarda (se estiver com preguiça pode pegar uma charrete, custa uma mixaria) e conhecemos mais dois franceses do grupo: Morgan e Roxanne.

Aqui começa meu primeiro problema: os franceses (ou melhor, as pessoas de países de língua latina em geral), quando estão em bando, se recusam a falar inglês. Não posso reclamar, brasileiros fazem exatamente a mesma coisa; acho que temos preguiça. Acho também que temos vergonha. Então enquanto os franceses falam pelos cotovelos, eu vou apreciando a vista… e o ônibus sobe e desde pelo lindo litoral de Lombok.

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Praias de sonho… (fonte: flickr.com/photos/sektordua)
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… e florestas verdes até onde a vista alcança. Lombok é o que eu esperava de Bali (fonte: flickr.com/photos/bartlinssen)

Descemos pela costa oeste de Lombok, através das cidades de Senggigi e Mataram, onde paramos em agências de viagem da Perama (nossa companhia) para preencher uma papelada burocrática e pegar mais pessoas. Somos mais ou menos 20, mais o guia, em dois mini-ônibus. Hora de começar o passeio!

O primeiro dia é em terra, atravessando Lombok. Essa ilha já foi parte do império balinês mas hoje em dia é de maioria muçulmana; ainda assim nossa primeira parada é em um templo. Mais um templo, Pura Narmada. A história por trás dele é até interessante: todos os anos, o rei de Lombok subia o Monte Rinjani (segundo maior vulcão da Indonésia, com 3.726 metros) para fazer sacrifícios aos deuses. Só que, como todo mundo, o rei envelheceu e não podia mais fazer o percurso até topo do Rinjani. Então ele mandou fazer uma réplica do vulcão em miniatura no templo de Pura Narmada, onde realizou seus sacrifícios pelo resto da vida. Pronto, agora que você já sabe a estorinha bonita, pode pular a visita ao Pura Narmada porque a verdade é que ele é bem sem graça.

A segunda parada é em uma pequena vila no meio do nada, onde os locais fazem artesanato com palha, barro e metais. Tá, é bonito. Tá, é interessante. Tá, é diferente. Mas é também um belo esqueminha pra te empurrar compras que você não quer fazer. Ô chatice! Ainda bem que logo depois vem o almoço. Três vivas para o almoço! Não mencionei ainda, mas a comida indonésia, assim como quase qualquer outra no sudeste asiático, é fenomenal!

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Felicidade é um Nasi Goreng de beira de estrada (fonte: flickr.com/photos/vighi)

Barriga cheia pé na areia. Continuamos nossa viagem até uma reserva ecológica meia boca onde vamos fazer trekking. Digo meia boca porque o caminho é cimentado – e a cachoeira que alcançamos ao final também é. Mas não temos tempo de aproveitar a cachoeira meia boca: em cinco minutos o tempo fecha e começa um dilúvio bíblico. O pessoal desespera e sai correndo de volta para os ônibus; ao chegarmos estamos todos ensopados até os ossos.

A chuva pára tão rapidamente quanto começou e logo estamos no nosso último destino em Lombok: um barco-restaurante no meio de um mangue. Daqui é direto pro barco de verdade, mas não sem antes esperar umas boas horas até o jantar – saímos cedo demais do trekking e agora não temos nada pra fazer. Algumas pessoas descem até o mangue para passear. Eu aproveito o tempo extra para conhecer meus novos companheiros de aventura: Roxanne, Morgan, Louis… mais dois casais franceses. Um casal chinês. Um casal tcheco. Um grupo de menininhas espanholas. Uma cambada de eslovenos, todos mais velhos. E eu.

Não tem ninguém viajando sozinho. Não tem nenhum falante nativo de língua inglesa. Aliás, não tem nenhum bom falante de língua inglesa; minha melhor chance aqui é arranhar meu francês macarrônico ou arriscar um portunhol. Sobrei. Sobrei muito! A sorte é que Roxanne, Morgan e Louis tem paciência comigo – e eu com eles. Foi o suficiente pra não passar os próximos dois dias sozinha, mas não foi o suficiente para fazer bons amigos. Não nesse barco.