Como chegar a uma das ilhas mais exóticas do mundo.

Quando você tem apenas um mês para conhecer um país do tamanho da Indonésia, tem que fazer escolhas, e uma escolha que eu fiz desde o primeiro dia foi conhecer Komodo.

Cresci assistindo a documentários no Discovery Channel, sei uma quantidade absurda de informações inúteis a respeito de bichos mais inúteis ainda. Não é toa que escolhi ser bióloga: gosto mais de bicho do que de gente. Então não pude deixar passar a oportunidade de ver de perto o maior lagarto do mundo: o dragão de Komodo. Basicamente um dinossauro vivo – e minha única chance de jamais ver um dragão de verdade (pelo menos no nome).

Mas mais que conhecer o dragão, eu queria ir à Komodo para mergulhar. O Parque Nacional de Komodo tem alguns dos melhores mergulhos da Indonésia, e isso não é pouca coisa. Perdida na bagunça de ilhotas do Oceano Índico, Komodo recebe correntes marítimas por todos os lados – o que rende mergulhos divertidos (drift dives, em que você literalmente se joga no mar e deixa a correnteza te levar) e uma biodiversidade maravilhosa. Tem que ir.

A questão é: como?

Komodo
Diretamente do Google Maps: a pequena Komodo largada no meio do nada (é a estrelinha entre Sonda Oriental e Sonda Ocidental – Bali está ali à esquerda).

A verdade é que não dá pra se hospedar dentro do parque a não ser que você fique num barco: a ilha de Komodo não tem (e espero que nunca tenha) estrutura para acomodar turistas, é uma área de preservação ambiental totalmente selvagem. Então, para explorar Komodo, você tem que ficar em Labuanbajo, uma cidade no extremo oeste da ilha de Sonda Oriental – também conhecida como Flores. Com esse nome não é difícil adivinhar: Flores é de colonização portuguesa (eu fico empolgada com essas bobagens, tenha paciência comigo)! Ela ainda está mais ou menos fora da rota da maioria dos turistas, é bem mais vazia e inexplorada do que Bali. Maravilha, né? Só que vazia e inexplorada às vezes é sinônimo de “acesso difícil”. Então como chegar à Labuanbajo?

Te dou três opções: de avião, de barco ou na raça; vamos aos prós e contras de cada um. De avião é caro, mas obviamente é o mais rápido e fácil – tem vôos diários saindo tanto de Bali quanto de Lombok, a ilha bolinha à direita de Bali. De barco também é caro (bem mais caro que de avião, aliás), e demora alguns dias – mas isso porque você vai parando pelas ilhas no caminho e visitando outros lugares antes de chegar à Labuanbajo. Até onde eu saiba, não existe um barco direto. Por fim, você pode ir por conta própria, pegando balsas e ônibus através de Bali/Lombok/Sumbawa/Flores. Você vai demorar entre um e dois dias, gastar muito pouco dinheiro e testar sua paciência ao máximo – ouvi estórias nada agradáveis de pessoas sendo deixadas para trás ou tendo que pagar suborno para os ônibus saírem na hora, sem falar nas estradas péssimas. A vantagem é que essa deve ser a melhor maneira de conhecer a Indonésia de verdade, a Indonésia dos indonésios: atravessando ilhas que os turistas sequer passam perto, vendo como os moradores locais realmente vivem. É no mínimo interessante.

Mas interessante ou não, eu escolhi ir de barco. Adoro barcos! Não me importava se era caro ou demorado, já tinha escolhido o barco mesmo antes de chegar à Indonésia e tinha deixado um dinheirinho separado. Minha saída foi a partir de Gili Air, uma pequena ilha ao lado de Lombok onde eu e Carol passamos alguns dias depois que saímos de Bali.

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A lindíssima Gili Air – com a também lindíssima Lombok ao fundo.
As Gili (Air, Meno e Trawagan) já são ilhas bastante visitadas, e nossa estadia lá foi tão tranquila que não acho que minha experiência vai acrescentar muita coisa. São lindas, rústicas (a eletricidade cai pelo menos uma vez por dia e as “ruas” são de terra) e ótimas para mergulho. O acesso à partir de Bali é ridiculamente fácil: 1:30h de barco a motor saindo de Padang Bai, uma pequena vila de pescadores no sudeste da ilha (250.000 rúpias, mais ou menos R$65,00). Se você estiver com mais tempo e menos dinheiro, pode se arriscar com a balsa comum – apenas 40.000 rúpias (10 reais!), mas um mínimo de 8 horas de viagem e correndo o sério risco da balsa afundar no caminho. Enfim, não importa como: vá às Gili que elas valem à pena. Mas estou fugindo do assunto, o post era pra ser sobre Komodo. Foi mal!

Então depois de alguns dias relaxando em Gili Air, eu e Carol nos separamos: ela foi escalar o Rinjani, o segundo maior vulcão da Indonésia, e eu peguei meu barco rumo à Labuanbajo. Admito que meu tour foi bastante caro – 3.000.000 de rúpias (R$800,00), 5 dias e 4 noites com alimentação e passeios incluídos. Ida e volta. Existem pacotes mais baratos, sim, mas esse é o tipo de passeio que você quer fazer com uma empresa de confiança: o trajeto entre Lombok e Flores é perigoso, vários barcos naufragam todos os anos e mais pessoas morrem do que eu gostaria de admitir.

Por isso eu preferi gastar mais do que passar aperto. Só que desde quando gastar mais te impede de passar aperto?