Às vezes a fama do lugar não faz jus.

Finalmente, cheguei à famosa Bali – a queridinha dos turistas. Como eu já disse antes, muita gente vem à Indonésia e só fica aqui. E pra quem ainda não sabe o que esperar, é mesmo tentador: quem nunca ouviu falar de Bali? Uma ilha tranquila e bonita, com suas praias paradisíacas de areia branca, águas transparentes e céu azul… Só que não é bem assim. Se Bali já foi esse lugar, hoje não é mais. Ruas largas, lojas de grife, franquias de fast food, engarrafamentos sem fim: Bali parece mais uma grande cidade ocidental. Nem o clima parece querer contribuir – de acordo com os locais, o tempo nublado e chuvoso que me acompanhou na minha viagem pela ilha predomina o ano todo.

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Você acha que Bali vai ser assim? (fonte: flickr.com/photos/depenbusch)
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Tá mais pra isso aqui (fonte: flickr.com/photos/marufish)

Parece terrível, mas eu juro que não é. Só não é aquilo que se espera. Bali vale sim uma visitinha, mas é bom ir com expectativas realistas e admitir que ela não é a melhor parte da Indonésia. Também é bom lembrar que eu estou quase batendo nos 30, que eu cheguei em Bali no final da minha viagem, e que eu não estava com a menor paciência pra molecada festeira que normalmente invade a ilha. Traduzindo: se você quer farra, você vai gostar mais de Bali do que eu.

Pois bem, cheguei a Bali. A partir do aeroporto, taxistas te cobram pequenas fortunas para te levar à parte da ilha que você quiser – a minha era Sanur. Escolhi essa praia porque, dos lugares próximos ao aeroporto, ela é dos mais tranquilos. Tranquilo até demais. Caramba, não tem nada pra fazer em Sanur! Uma praia feia, uma feirinha a noite, e acabou. Não quero ficar aqui: quero esquecer essa Bali e continuar minha viagem, mas estou com o hostel reservado e não posso cancelar nem pagar uma multa, tenho que pagar a estadia inteira mesmo se eu não quiser ficar. É culpa do booking.com. É SEMPRE culpa do booking.com. Todos os problemas que eu tive com reservas ao longo de toda minha viagem foram por conta dessa desgraça de site. Evite ele ao máximo (vai no Agoda, no Trivago, no TripAdvisor, no HostelWorld… opção não falta).

Paciência, então eu fico. Sorte que esse hostel tem piscina. E sorte que eu conheci a Carol, uma pernambucana fofíssima que também já está sapecando pela Ásia há alguns meses. Pra não morrer de tédio em Sanur, eu, Carol e mais uma turminha do hostel arrumamos uma van pra nos levar pelo sul da ilha. Infelizmente, transporte aqui é problemático. As opções mais comuns são ônibus turísticos (que te levam de uma vila à outra) e motoristas particulares (táxis, vans e motos que cobram por viagem ou por dia). Se tiver paciência e coragem para enfrentar o trânsito, você pode também alugar seu próprio carro ou moto. Mas todas são opções caras. Eventualmente eu descobri que existe sim transporte público na ilha, mas é difícil de achar uma vez que os moradores estão tentando ganhar dinheiro em cima de você e se recusam a dar informações. Eu mesma nunca consegui usar, mas fica aí a dica pra quem quiser investigar um pouco mais.

Então lá vamos nós conhecer a ilha. A pequena praia de Padang Padang é linda, mas mal se encontra um lugar para sentar na areia, de tão lotada. A enorme Jimbaram é suja e cinza, cercada por resorts de luxo e restaurantes caríssimos. Nosso mau humorado motorista não quer nos levar no templo mais famoso de bali – o Pura Uluwatu – pois a estrada está em reforma e não, não tem outro acesso.

É problema com o hostel, é problema com o motorista, é a decepção com ilha. Exceto pela boa companhia, minha estréia em Bali não foi das melhores.